“Ali está Taras Shevchenko com um tiro na cabeça — diário da Ucrânia” — O dia a dia, o drama e a história de uma brutal invasão

Thiago Pinheiro
2 min readOct 16

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Uma resenha sobre o livro da jornalista portuguesa Ana França. Ao final, algumas palavras que eu confesso que não conhecia.

Infelizmente, o livro não está à venda no Brasil. Comprei-o em Portugal

Terminei o excelente “Ali está Taras Shevchenko com um tiro na cabeça — diário da Ucrânia” da portuguesa Ana Françasobre os seus dias na Ucrânia quando a brutal invasão da Rússia começou. A jornalista conseguiu passar por diversas cidades — incluindo Bucha e Irpin, palcos de enormes atrocidades.

Além dos testemunhos de quem sobreviveu à invasão, enriquece o livro as discussões propostas pela autora e alguns de seus entrevistados. Gostei demais desta frase:

Um repórter é apenas um veículo para as grandes histórias que estas pessoas viveram, nada mais

Mesmo sendo um diário, Ana em nenhum momento apareceu mais que a história que contava. E isso é mérito, ainda mais em uma época na qual muitos jornalistas parecem ter se esquecido disso.

Só que é claro que não basta sair da frente da história, dando-lhe a vez. Contá-la é um talento e que, em “Ali está Taras…”, vamos viajando com auxílio das suas palavras por uma Ucrânia semidevastada e que, àquela época, ainda buscava entender o que estava acontecendo.

Enriqueceu a leitura, as contribuições sobre a história dadas pelos que aceitavam falar. Esta aqui, de Romanna Vassylyna, uma senhora de 87 anos, esposa de um importante pintor ucraniano de Lviv, Volodymyr Patik, simboliza o sentimento ucraniano nesta guerra e parece ser a resposta sobre a incredulidade do mundo em relação à enorme força de vontade face um inimigo que parecia muito mais poderoso:

Durante 3 séculos fomos escravizados, destruíram as nossas casas, as nossas igrejas, queimaram os nossos livros, há um ódio que nos construiu. É a nossa 1ª guerra, a 1ª em que não lutamos por outra bandeira, somos independentes. É uma benção e temos de estar preparados para dar a vida por ela.

Enfim, o livro é mais que um diário sobre uma guerra estúpida e repetida tantas vezes na história da Ucrânia. É, também, um relato como sobre os ucranianos enxergam o seu país, a sua história e a Rússia.

OBS: infelizmente, “Ali está Taras Shevchenko com um tiro na cabeça — diário da Ucrânia” não está à venda no Brasil e não há versão em ebook. Eu comprei em Portugal.

Palavras que encontrei no livro e não conhecia. Não sei se são mais comuns em Portugal ou se é apenas ignorância minha

  • baça (pálido, sem o brilho que lhe é próprio)
  • apeadeiro (ponto de passagem)
  • carrinha (para carro)
  • eflúvio (aroma ou fragrância que se liberta de um corpo)
  • baloiço (balanço, o brinquedo)
  • álgido (muito frio; que faz gelar)
  • lesta (ligeiro; rápido)

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Thiago Pinheiro

Jornalista e fugitivo arrependido do curso de Literatura